sábado, 27 de abril de 2013


Estava rolando por muito tempo já. E lhe via passar entre as fretas de uma grade suja e o observava, tudo era neutro sem muitas palavras, aquilo já era rotina, eu me deixava levar pelo teu olhar, pelo teu sorriso, me deixava levar pelo casaco azul que você usava todas as terças-feiras, para ir naquele café da esquina ashtan.
Eu o observei por muito tempo sem esperanças de que aquilo seria real, imaginei o mundo ao seu lado, mas cada dia era uma chance perdida, parecia que um guindaste me puxava pelas roupas, aquilo me fazia mal, me deixava de cama , e eu sabia que você não seria meu, na situação em que eu estava nada estaria ao meu alcance, nada eu faria, faculdade, amigos, família, e você, tudo perdido em uma cama de hospital. Imaginei que antes da minha partida eu teria a chance de te-lo, será que tive? Imaginei nós andando de bicicleta, passeando no parque, tomando sorvete. JUNTOS é o que eu mais queria.
 Deus porque teve que ser assim? Porque eu não tive a minha chance? Porque fizeste isso comigo? Eu não fui boa o suficiente? Eu não lhe agradei? O que eu fiz?
Minhas lagrimas e suplicas de nada adiantava naquele momento, eu estava na reta final de uma caminhada que me levaria para outro lugar, chame do que quiser, céu, inferno, mas eu não estaria mais aqui.
Na ultima quinta-feira do mês passado eu o vi (risos) ele estava tão lindo, parecia um anjo com seus cabelos loiros e escandecente, sua bochecha estava rosada, provavelmente foi por ver a menina sem cabelos. Pela primeira vez ele olhou para mim, mas olhou de verdade entende? Ele me encarou, provavelmente achou estranho um lenço na minha cabeça, já que ele nunca tinha me visto assim, mas algo me disse que ele não achou feio ou uma aberração, um sorriso, abaixou a cabeça e atravessou a esquina. Naquele momento meu coração acelerou e um sorriso de orelha a orelha eu não pude evitar. Será que ele lembra de mim? Lembra dos meus longos cabelos castanhos? Lembra que em toda aula de álgebra eu sentava atrás de dele? (risos) Fiquei tão feliz. Na sexta-feira eu o vi novamente, fui a escola depois de um mês, fiquei muito feliz reencontrei as minhas amigas e recebi o apoio dos professores, mas nada se comparava ao apoio dele, sim ele falou comigo (pulos de alegria). Eu estava atrás dele na aula de álgebra e ele me cutucou:
- Ei, é... você é a Emilly certo?
- Sim...
- Você está bem? Quer dizer, está melhor?
- Bem... não tanto, mas estou indo...
-Fico feliz... você perdeu bastante coisa, quer meu caderno no final da aula?
(Ele me ofereceu o seu caderno????? Mais feliz impossível)
- Sim... obrigada.
Naquele momento eu tive uma esperança, pequena que seja, mas era uma esperança, pra quem não tinha nada.
 Começamos a nos falar durante as aulas, e percebi que ele estava envolvido comigo, ele me levava para casa todos os dias, dizia que tinha medo de algo acontecer comigo, fiquei pensando se era proteção ou se apenas por eu estar doente, não sei explicar. Começamos nos ver fora da escola. Ele me levava para passear, tomar sorvete, e me fazia se sentir bem. Mesmo do jeito em que eu estava (que não era muito bonita) eu me sentia desejada, e ele demonstrava isto.
 Minha situação estava piorando, eu já não podia ir mais a escola, ou sequer sair de casa, isso nos afastou, no começo ele vinha aqui me ver, mas depois...
Eu não o culpava, quem gostaria de namorar a menina careca e doente? Ninguém, os dias se passaram e aqui estou neste hospital deitada, me culpando, culpando Deus e sei que não deveria fazer isto mais, já estou sem forças para acreditar no que os seguidores de Deus me dizia, que tudo iria ficar bem, que Deus iria me abençoar e que a minha doença iria curar. Mas pensando bem, talvez Deus não me queira aqui, talvez ele me queira ao seu lado, ou não, seja o que for acabou.
Aquele era o meu momento de angustia e desespero, eu estava desampara isto é crime? Eu tinha o direito de pensar o que eu quisesse pensar, de dizer o que eu quisesse dizer, afinal quem iria morrer era eu não era? O câncer não me deu chance de viver o que eu queria viver. Eu queria gritar pro mundo o que eu sentia. Me levantei arranquei todos os fios que me cercavam e me arrastando pelo hospital eu fui sem que ninguém me visse, consegui chegar a terraço, na chuva pude ver alguém, não sabia ao certo quem era pois minha vista já não era tão boa como antes, mas pude enxergar um vulto, me aproximei,e ele se aproximou de mim e aos prantos pudi ver quem era, sim era ele, Steven era o nome dele. Ele me abraçou forte em um choro profundo, se ajoelhou e suplicou perdão.
- (choro) Emilly... (chroro) ... me perdoa Emilly... eu fui um covarde, eu não fiquei ao seu lado por favor me perdoa (choro)... lembra na sexta série? Um menino chamado Mike disse que outro menino gostava de você, era eu Emilly... esse tempo todo era eu ... eu que perguntava de você, eu que visitava seu perfil, eu que te ligava só para ouvir a sua voz, eu Emilly (choro) me perdoa, eu nunca tive coragem de te diz que eu te amo (choro).
Eu não sabia se ria, ou se chorava, mas naquele momento eu me senti muito fraca, com os meus olhos cansados e falas desgastada eu lhe disse:
- Eu também te amo, eu sempre te amei, e sempre irei te amar.
Em seguida eu tenho um desmaio, ele me deita em seu colo e me diz:
Emilly fala comigo Emilly não faz isso comigo...
Lembra daquelas cartinhas que você recebia? (sorri) então... eram todas minhas, eu apenas achava que... Eu te amo... Steven, eu te ...
Emilly ? Emilly? (choro) EU TE AMO.